Os florais e o estresse na enfermagem

Pesquisa realizada com alunos de enfermagem investiga o efeito dos florais no estresse dos estudantes.

Ao perceber em seus atendimentos na Escola de Enfermagem da Universidade de São Paulo (EEUSP) que os alunos repetiam um padrão de estresse, Lucia Albuquerque, terapeuta floral e Mestre em Ciências resolveu se aprofundar no assunto e investigar como os florais podem ajudá-los nesses desequilíbrios. O trabalho, iniciado pouco antes do isolamento social imposto pela pandemia do COVID-19, teve que passar por ajustes. Mas ainda assim, os dados qualitativos mostram resultados positivos para aqueles alunos que estavam usando o floral.

O que te levou a pesquisar o estresse dos estudantes de enfermagem?

Eu fazia atendimentos com florais para os estudantes e funcionários da Escola de Enfermagem da USP no projeto de cultura e extensão em práticas complementares desta instituição. Em todos os atendimentos eu observava muitos sintomas de estresse, angústias, baixa valorização e cansaço mental. Como as essências florais contribuem no alívio emocional desses sintomas, me motivei a investigar o efeito da terapia floral sobre o estresse do estudante de enfermagem.

Como foi a receptividade dos alunos em relação à pesquisa com florais de Bach?

Para a divulgação da pesquisa fizemos a fixação de cartazes em murais e na TV do saguão principal da Escola de Enfermagem. Além disso, eu contei com a ajuda dos representantes de classe e de alguns professores além do envio de e-mail de divulgação para os alunos. Fiquei surpresa com o interesse dos estudantes. Percebi que, enquanto alguns vieram apenas com a curiosidade de conhecer os florais, outros vieram com total interesse e com uma grande certeza de que seriam ajudados no momento de grandes desafios que estavam passando. Um tempo após o início da pesquisa alguns estudantes já estavam percebendo uma melhora e acabaram incentivando os colegas a participarem também.

Quais as principais queixas relatadas pelos participantes da pesquisa?

Dos estudantes 40,6% relataram pelo menos um problema de saúde como asma, bronquite, bem como depressão e enxaqueca. Gastrite/refluxo gastroesofágico foi o problema de saúde mais relatado. Além dos sintomas físicos, também foram relatados sintomas emocionais como: irritabilidade, insônia, falta de paciência, ansiedade, falta de confiança, baixa autoestima, desmotivação, cansaço mental, além das queixas relacionadas a TPM.

Mas o interessante é que todos relataram que esta seria uma oportunidade de se cuidarem!

Quais as essências utilizadas e por que foram selecionadas para integrar a fórmula?

As essências utilizadas foram Impatiens, Cerato, Elm, White Chestnut, Olive, Cherry Plum e Larch. A escolha foi feita empiricamente a partir das observações feitas durante os atendimentos, com terapia floral, dos estudantes de enfermagem no projeto de cultura e extensão em práticas complementares da Escola de Enfermagem da USP.

Qual foi a metodologia da pesquisa?

Tratou-se de um ensaio clínico randomizado, triplo cego, com abordagem quantitativa e qualitativa, onde a população foi constituída por estudantes de graduação em enfermagem de duas escolas públicas e duas privadas.

Foram incluídos os estudantes que obtiveram pontuação acima de 20 pontos no Teste de Baccaro, que caracteriza nível intenso de estresse.

Foram excluídos os estudantes que utilizavam fitoterápicos ou planta medicinal, antidepressivos, ansiolíticos ou que utilizavam alguma prática complementar.

Os estudantes foram randomizados em dois grupos Floral e Placebo. O  Grupo Placebo recebeu um vidro contendo água, brandy 30% sem essência floral e o Grupo Floral recebeu um vidro contendo as essências florais escolhidas para a pesquisa, água e brandy 30%. Os grupos utilizaram a respectiva solução floral ou placebo por 60 dias na dosagem de 4 gotas 4 vezes ao dia. Após o término da pesquisa foi oferecido aos estudantes que estiveram no Grupo Placebo dois frascos contendo o buquê de essências florais utilizado na pesquisa.

Como se deu a avaliação dos efeitos das essências florais nos sintomas de estresse dos estudantes de enfermagem?

A avaliação foi realizada através da aplicação de alguns instrumentos onde foi considerado como desfecho primário a redução dos níveis de estresse medidos pelas escalas de sinais e sintomas do Teste de Baccaro, Escala de Estresse Percebido e Instrumento de Avaliação de Estresse de Estudantes de Enfermagem. O desfecho secundário foi avaliado pela percepção dos estudantes sobre os efeitos da intervenção onde no último encontro foi solicitado que respondessem a duas questões: “Como você se sentiu com o uso desta fórmula?” e “Percebeu alguma mudança?”.

A pesquisa foi iniciada pouco antes da pandemia pelo COVID-19. Como foi contornada a questão do isolamento social, quando os estudantes deixaram de frequentar a universidade e passaram a ter aulas no ambiente virtual?

Este foi meu maior desafio e não posso deixar de dizer que foi meu maior desespero com relação ao estudo. Tive que mudar o procedimento pois não podia mais encontrar os estudantes presencialmente, sendo assim, tive que substituí-lo por comunicação eletrônica ou por telefone. Os instrumentos de pesquisa foram preenchidos eletronicamente e os frascos das fórmulas foram entregues no domicílio por motoboy ou Sedex, dependendo do local da residência do participante, para assegurar o isolamento social.

O resultado quantitativo da pesquisa mostra que houve pouca variação entre o Grupo Placebo e o Grupo Floral. Como você acredita que as mudanças de rotina impostas pela pandemia pelo COVID-19 influenciaram nos resultados?

A princípio, é importante colocar que a fórmula utilizada no estudo foi feita considerando uma rotina diária acadêmica com a presença de fatores estressores. Por exemplo: uso de transporte público, avaliações práticas e presenciais, apresentações de trabalho, atividades em campo de estágio e de laboratório. Com a pandemia pelo COVID-19 houve a retirada destes estressores presenciais, o que contribuiu para a redução do estresse independente do grupo de estudo. Porém novos estressores emergiram mas completamente diferentes dos considerados no início do estudo e cujas características não estavam contempladas na fórmula floral. Além disso, muitos estudantes que entraram para a pesquisa durante a pandemia tinham a esperança de que pudessem ser ajudados com relação ao isolamento social.

Por outro lado, os dados qualitativos, que consideram a percepção dos participantes em relação ao tratamento, tiveram uma resposta positiva. Quais foram os principais achados nesse sentido?

Primeiramente é importante colocar que na análise qualitativa observou-se que no Grupo Floral houve maior expressão de atributos ao efeito do floral.

Alguns estudantes reconheceram a necessidade de externalizar e demonstrar suas emoções e sentimentos permitindo assim que a tensão fosse liberada sentindo-se mais calmos e relaxados. Com isto identificaram momentos de silêncio interior que permitiram olhar para si mesmo.

Identificou-se também que o fato de conseguir acalmar a mente ajudou a pensar melhor antes de tomar alguma decisão. Ou seja, não agir de maneira impulsiva, descontrolada e com insegurança trazendo melhora da autoconfiança.

Houveram relatos de mudança no padrão do sono, onde percebeu-se um sono mais tranquilo proporcionando a diminuição de pesadelos e uma maior motivação para realização das atividades diárias.

Algumas estudantes relataram ainda ter percebido uma melhora muito significativa durante a tensão pré-menstrual.

Tem mais alguma informação que você gostaria de acrescentar?

Gostaria de colocar que por mais cautela que se tenha na execução de um ensaio clínico vieses podem ocorrer tanto de origem metodológica quanto externa. Em outras palavras: nenhum estudo é livre de limitações e aqui tivemos, por exemplo, a mudança no processo de coleta de dados em virtude da pandemia e a sua interferência nos resultados obtidos. Por fim, considero que, mesmo diante de algumas dificuldades, é muito importante que mais pesquisas sejam feitas para que possamos demonstrar os resultados da Terapia Floral.

Para conhecer a pesquisa Efeitos das essências florais nos sintomas de estresse de estudantes de enfermagem: ensaio clínico randomizado, clique aqui.

Lucia Albuquerque é Terapeuta Floral, Mestre em Ciências pela Escola de Enfermagem da Universidade de São Paulo, Membro do Grupo de Estudo das Práticas Integrativas e Complementares em Saúde da Escola de Enfermagem da USP, Facilitadora dos Florais de Bach Healingherbs e Professora credenciada dos Florais de Minas. Lucia realiza atendimentos particulares com terapia floral para adultos, crianças e animais e é terapeuta voluntária da ONG Gotas de Florl com Amor.

Contatos: Instagram: @luciaalbuquerqueterapiafloral – Celular: (11) 9 9572 9829

                                                                                                                          

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