Onde tudo começou

Uma das principais autoridades sobre o assunto, o inglês Julian Barnard, explica, entre outros temas, como as essências são preparadas e a aceitação dessa terapia na Inglaterra.

Há 80 anos, o médico inglês Dr. Edward Bach descobriu que a essência das flores poderia ser uma facilitadora no processo de autoconhecimento e criou 38 florais para tratar de diferentes emoções, como o medo e a solidão. Para saber mais sobre essa forma de tratamento na terra onde eles foram descobertos, a revista ESSÊNCIA conversou com Julian Barnard.

Fundador e diretor da Healingherbs, empresa que produz os florais de Bach seguindo rigorosamente as diretrizes deixadas pelo médico, Julian é conferencista internacional e autor de vários livros sobre o assunto, entre eles, Forma e Função, considerado referência entre os terapeutas brasileiros. Conhecido como discípulo de Bach, ele nos concedeu esta entrevista, via Skype, de sua casa, na fronteira com o País de Gales, próximo ao local onde Dr. Edward iniciou suas pesquisas e encontrou as primeiras essências.

Oitenta anos depois de descobertos, os florais de Bach são bem difundidos no Reino Unido?

Sim, é uma terapia muito conhecida no Reino Unido. A medicina natural faz parte de um pensamento tradicional no Reino Unido desde o início do século 20. Assim como a homeopatia e a fitoterapia, os florais de Bach também estão integrados a esse pensamento. Eu não sei o que uma pesquisa diria, mas acredito que se perguntássemos às pessoas na rua se conhecem ou já ouviram falar dos florais de Bach, certamente uma grande quantidade delas diria que sabe o que são essas essências e que poderia adquiri-las em lojas de produtos naturais voltadas para a saúde complementar.

As pessoas costumam ter os florais concentrados em casa ou apenas os terapeutas possuem as essências?

Nesse sentido, Bach foi muito específico. Ele não achava que somente os médicos deveriam utilizá-las,e sim todos aqueles que quisessem descobrir o que se passa internamente. A esse respeito, ele disse: “Qualquer pessoa, em um vilarejo ou numa cidade grande, que realmente queira ajudar
e tenha conhecimento da natureza humana”. No Reino Unido, a maior parte das pessoas compra a essência concentrada nas lojas de produtos naturais, supermercados e farmácias.
A questão é: em qual diluição? E, por isso, os Florais de Bach Healingherbs possuem no rótulo: “Original Stock Concentrate” (Estoque Original Concentrado). Ele é feito para ser diluído. A maioria das pessoas compra,
separadamente, as essências de que precisa. E é muito usual comprar o kit ou montá-lo aos poucos. Inicia-se comprando aquelas essências que mais se utiliza e depois aquelas com as quais menos se identifica.
Ainda que, muitas vezes, aquelas essências com as quais não nos identificamos correspondem a características que não queremos ver em nós mesmos. E se utilizamos apenas as mais populares, como Impatiens, perdemos a oportunidade de aprender mais sobre nós mesmos.

Na vasilha de vidro, a flor rock rose fica exposta aos raios solares em dias completamente claros. Dessa forma, a essência floral é preparada pelo método solar.

E qual a maneira mais usual de se utilizar? Num copo ou garrafa com água, ou num frasco de tratamento?*

Algumas vezes, no passado, dizia-se que deveríamos tomar diretamente do frasco de essência concentrada, mas eu desconfio de que era um artifício para se vender mais produtos. Porque, de um frasco de 10ml de floral concentrado podemos preparar de 60 a 70 doses. Assim, um frasco concentrado rende muito. Quanto à diluição, para condições que exigem uma utilização por um período mais longo, eu recomendaria um frasco de tratamento. Mas eu costumo utilizar em uma garrafa ou copo de água e vou tomando durante o dia. As duas formas são válidas.
*Com um pouco de conhaque, que atua como conservante.

Há algum risco de intoxicação ou efeitos colaterais no uso dos florais?

Os florais de Bach não são perigosos e não causam efeitos colaterais. Eles não possuem princípio ativo entre seus componentes. São muito seguros. Então, sob meu ponto de vista, não há perigo. O único risco é você descobrir mais sobre você mesmo. E como nos florais de Bach sempre temos o livre-arbítrio, podemos decidir o que queremos e o que não queremos trabalhar em nós mesmos.

No Brasil, eles costumam ser associados a outras terapias, como acupuntura, reiki e mesmo homeopatia. Isso também acontece entre os terapeutas na Inglaterra?

Sim, é muito normal e muito bom. É um complemento a outras formas de tratamento. Por exemplo, um fisioterapeuta trabalhando com um paciente que apresenta uma dor muscular percebe que essa pessoa é tensa. Ele pode achar que o floral Impatiens poderia ajudá-lo. Eu não acho que tenhamos que trabalhar com apenas uma terapia. É muito bom usarmos diferentes técnicas de maneira complementar.

E qual o papel do terapeuta nesse processo?

Bem, a palavra “terapeuta” vem do grego therapeuein e tem o significado de cuidar. Eu diria que não há ninguém que conheça melhor Julian Barnard do que eu mesmo. Talvez eu não queira me olhar internamente, mas eu sou o expert da minha vida. Muitas vezes, isso é fácil, pois sabemos o que nos incomoda. Em outras, precisamos de ajuda nesse processo. Então, procuramos um profissional experiente que nos ajuda a aprofundar esse olhar e a nos conduzir num processo de autoconhecimento.

Julian Barnard, fundador e diretor da Healingherbs, empresa inglesa que produz os florais de Bach, é também pesquisador, palestrante e autor de vários livros sobre o assunto.

Contato: info@healingherbs.co.uk

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