Enfrentando os medos

Uma pesquisa científica realizada com crianças em situação de vulnerabilidade comprova os benefícios dos florais de Bach no tratamento de traumas e diferentes tipos de temores

Desde que começou a fazer um trabalho voluntário no Gotas de Flor com Amor (uma Organização da Sociedade Civil de Interesse Público – Oscip),
em São Paulo, a especialista em terapia floral Lucia Albuquerque foi tocada profundamente por um problema. “Atendendo as crianças com a terapia floral, é muito presente no relato delas o medo e os traumas em decorrência de tudo o que veem e experienciam no lugar onde moram”, explica – os frequentadores da Oscip são moradores de favelas e cortiços próximos à instituição e vivem em situação de vulnerabilidade pessoal e social.

“Elas falam sobre acidentes, incêndios, violência, mortes, medo de perder os familiares… Por esse motivo, resolvi fazer um trabalho tratando especificamente desse assunto.”

Como membro do Grupo de Estudo das Práticas Integrativas e Complementares de Saúde (Gepics) na Escola de Enfermagem da Universidade de São Paulo, Lucia desenvolveu a pesquisa científica
Avaliando o Efeito das Essências Florais nos Traumas e Medos em Crianças Que Vivem em Situação de Pobreza. Ela foi realizada no período de abril de 2015 a junho de 2015, com 15 participantes do Gotas, de 6 a 8 anos, de ambos os sexos.

Viver a vida com leveza

Elas foram divididas em dois grupos denominados placebo e experimental.

“Cada uma do experimental recebeu um vidro contendo água e as essências florais Star of Bethlehem, que trata dos traumas, Rock Rose, indicada para pânicos, Mimulus, para os medos conhecidos, e Aspen, para os temores desconhecidos. E cada criança do grupo placebo recebeu um vidro contendo apenas água sem as essências florais”,

conta a terapeuta.

Além disso, Lucia deu a todas elas uma caixa de sapato e vários materiais,
como massinha de modelar, bonequinhos plásticos e grama artificial. “Com
esses elementos, elas criaram jardins, pois o objetivo foi avaliar o efeito das
essências florais por meio de uma expressão artística.”

Elas tiveram três momentos para formular o jardim: antes da primeira intervenção com floral, no final do primeiro e do segundo mês da intervenção. E, após a execução, eram estimuladas a explicar seus feitos.

Lucia convidou o especialista em arteterapia Guilherme Peniche para fazer a avaliação dos jardins. Um deles (veja fotos abaixo), feito por um pequeno do grupo experimental, revela as mudanças no comportamento no decorrer da pesquisa. “O primeiro jardim passa a ideia de solidão e sufocamento e necessidade de proteção. No segundo, já é possível perceber que a
sensação de isolamento diminui”, explica Peniche, que também é naturólogo, mestre em ciências da saúde e especialista em terapia floral e aromaterapia.

Após os dois meses de investigação, concluiu-se que sete (87,5%) pessoas do grupo experimental apresentaram melhoras e uma (12,5%) ficou inalterada. E, das sete crianças do grupo placebo, duas melhoraram (28,6%) e cinco permaneceram inalteradas (71,4%).

“No início, elas ficavam muito tímidas e sentiam dificuldade em explicar o que haviam colocado no seu jardim. No final, as crianças do grupo experimental passaram a explicar claramente cada elemento do seu jardim, a falar de si mesmas, entravam na sala com mais vigor, de cabeça erguida, mais dispostas, relatando situações vividas no seu dia a dia com alegria e sem medo de se colocarem e contarem suas criações e histórias.”

Guilherme conta sobre as mudanças no terceiro jardim:

“Percebe-se que mesmo com alguns elementos ameaçadores, como as aranhas, as crianças se sentem seguras para continuar brincando. Característica marcante de quem tomou floral para trabalhar seus
medos. O medo não desaparece, mas há coragem para enfrentá-lo e viver com ele.”

Esta pesquisa foi apresentada no “3rd International Conference and Exhibition on Traditional & Alternative Medicine”, em Birmingham, na Inglaterra, e, em 2017, no Congresso Nacional de Terapia Floral (Conflor), no Rio de Janeiro.

O que revelam os jardins:

Esse primeiro revela a necessidade de proteção (bonecas em roda com uma ao meio)
Já com a criança tomando floral, denota a ideia de convivência (a tartaruga ganha outros pares)
O terceiro volta-se à roda, já sem nenhum elemento no meio, mostrando o brincar sem preocupações

Ilustração: Sandra Javera
Contato: Guilherme Peniche – Tel. (11) 99563-7230, Lucia Albuquerque – lm-freire@uol.com.br

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