Radiestesia e terapia floral: benefícios, mitos e integração prática
Mais clareza, precisão e profundidade ao atendimento,
A radiestesia e a terapia floral, embora tenham raízes distintas, encontram pontos de convergência fascinantes na busca pelo equilíbrio emocional e energético. Nesta entrevista, o terapeuta Antonio César Lettieri Ferreira compartilha sua trajetória pessoal, experiências marcantes e reflexões sobre como essas práticas se complementam, trazendo mais clareza, precisão e consciência ao processo terapêutico. Entre histórias, referências históricas e orientações para iniciantes, ele revela como a união entre radiestesia e florais pode ampliar horizontes e oferecer caminhos de cura mais integrados e humanos.
I. História e trajetória
Para começarmos, você pode contar um pouco da sua trajetória? Como surgiu o seu interesse pela terapia floral?
Desde muito jovem tento entender como as coisas funcionam. Fui daqueles garotos que desmontavam objetos para tentar montá-los novamente, consertando eletrodomésticos — nem sempre com sucesso, às vezes sobravam peças. O primeiro contato que lembro de ter com os florais foi através de um colega de faculdade, no curso de Engenharia Elétrica. Não lembro a data exata, mas foi por volta de 1985 ou 1986. Esse rapaz trazia, de vez em quando, assuntos esotéricos, e nossas conversas duravam horas. Um dia ele trouxe uma revista que tratava desses temas — a Revista Planeta — com uma matéria sobre os florais de Bach. Confesso que, à primeira vista, considerei difícil de entender: remédios com flores?
Tempos depois, o tema ressurgiu, no início da década de 1990, quando algumas pessoas começaram a estudar o assunto. Para mim, o interesse verdadeiro só chegou no final dessa década, quando comecei a olhar para a filosofia de Edward Bach e a verdade contida nela.
Houve algum momento ou experiência marcante que confirmou sua escolha pelo caminho terapêutico?
Sempre fui ligado às questões de saúde. No tempo de colégio, calculava o biorritmo de amigos, fazia os gráficos manualmente e enviava pelo correio. Também me interessei por I-Ching, Numerologia, Astrologia e, claro, Radiestesia. Consumia toda a literatura que encontrava em sebos e fui formando uma verdadeira biblioteca sobre assuntos esotéricos e espiritualidade. Gosto de aprender com os livros, a fonte direta.
Em que momento a radiestesia entrou na sua vida profissional e como foi esse encontro com a técnica?
Ainda na década de 1980, antes mesmo dos florais, assistindo a um programa de TV, tomei conhecimento da Radiestesia: pessoas que encontravam água com varetas, faziam diagnósticos de saúde com pêndulos, mediam o tamanho da aura com aura meter, entre outras técnicas e instrumentos. No centro da cidade de São Paulo havia uma casa de materiais cirúrgicos de origem francesa, a Casa Fretin, que possuía uma seção dedicada à radiestesia, com pêndulos, instrumentos e livros franceses. Muitos interessados na área, que depois se tornaram referência, frequentavam essa loja.
Aproveito para citar dois nomes importantíssimos: Antonio Rodrigues, que traduziu e escreveu muitos livros, e João Cafarelli, que na oficina do Instituto Mahat, no bairro de Vila Maria, produziu instrumentos de precisão e qualidade absoluta para a prática da Radiestesia.
Até esse momento eu era apenas um estudante bastante aplicado nessas duas técnicas — radiestesia e terapia floral — e comecei a esboçar gráficos de análise com os florais de Bach. Não praticava profissionalmente, mas atendia amigos e familiares. Para indicar os florais, queria um gráfico simples. No início eram oito: um para determinar o grupo e outros sete relativos aos grupos. O processo não era nada simples; eu precisava de algo que ajudasse na indicação, e não que complicasse. Hoje utilizo apenas um gráfico, baseado no diagrama em forma de espelho desenhado pelo Dr. Bach.
II. Radiestesia – explicação simples e acessível
Para quem nunca teve contato com o tema, como você explicaria a radiestesia de forma simples e acessível?
A radiestesia é uma técnica simples, mas que exige muito treino para que as respostas sejam interpretadas corretamente. Considero que a técnica permite o aprimoramento da sensibilidade que todos nós possuímos. Além dos sentidos físicos (paladar, olfato, audição, visão e tato), que permitem que as informações materiais sejam processadas pelo nosso cérebro, existem outras informações não físicas, muito sutis, à nossa volta.
A radiestesia é o treino dessa percepção: como obter respostas para informações sutis. Uma definição de Antonio Rodrigues (autor de muitos livros sobre o assunto) é:
Radiestesia é o diálogo entre o inconsciente e o consciente sob vontade.
Que instrumentos você costuma utilizar na radiestesia e como eles funcionam na prática?
Nas minhas indicações utilizo apenas o pêndulo, o testemunho com informações sobre o que se busca e o gráfico onde todas as essências estão dispostas. O pêndulo aponta diretamente a essência, e o processo é repetido até que haja uma indicação negativa. É um procedimento simples, mas realizado com propósito firme e total confiança de que o cliente receberá o melhor atendimento possível. Faço a análise com o pêndulo e o gráfico e, a partir disso, utilizo as essências.
Existem mitos comuns sobre a técnica que você gostaria de esclarecer?
Na minha opinião, atualmente existe uma supervalorização da técnica. A radiestesia é apresentada como algo sobrenatural e, por isso, considerada muito difícil. O mito principal é que os instrumentos são vistos como protagonistas da técnica.
- O pêndulo deve ser de um material específico, com formato específico, peso específico.
Mito! Se o processo consiste na interpretação do movimento pelo radiestesista, qualquer material e qualquer forma — desde que se movimente com equilíbrio e traga conforto a quem o utiliza — pode ser usado.
- O pêndulo é um oráculo.
Mito! “Perguntar ao pêndulo” e acatar a resposta como se fosse um oráculo é talvez o pior erro que um radiestesista possa cometer. O processo acontece dentro da mente do radiestesista: o questionamento é feito de forma consciente, mas acessado pelo inconsciente. O pêndulo se move devido a micromovimentos musculares na mão e no braço do operador, gerados por impulsos nervosos do sistema nervoso periférico (SNP), especificamente pelos nervos motores. Esses impulsos são respostas a estímulos inconscientes do cérebro (sistema nervoso central), após o processamento das informações captadas — um fenômeno conhecido cientificamente como Efeito Ideomotor. Portanto, o primeiro mito é: o pêndulo não se move sozinho.
- Radiestesia é para poucos.
Mito! Qualquer pessoa que estude a técnica e treine bastante pode ser radiestesista. É como tocar um instrumento: a prática leva ao virtuosismo.
- Radiestesia prediz o futuro.
Mito! São tantas as variáveis que resultam no instante seguinte que é impossível prever o futuro. Se fosse possível, os radiestesistas ganhariam na loteria todas as semanas.
- Os gráficos são radiônicos.
Mito! Aqui existe uma grande confusão de nomenclatura. Não existem gráficos radiônicos. A radiônica utiliza equipamentos que produzem frequências, capazes de gerar substâncias vibracionais e até emissões à distância. Já os gráficos são radiestésicos e, como tal, utilizam a mente do operador como fonte de informação.
- Radiestesia tem relação com religião.
Mito! Embora alguns sacerdotes católicos tenham sido excelentes radiestesistas, a radiestesia nada tem a ver com religião.
III. Conexões históricas e compreensão ampliada
A radiestesia começou a ganhar força no início do século XX, justamente na mesma época em que Edward Bach deixava a medicina ortodoxa para buscar na natureza formas intuitivas de cura, e quando Freud e Jung aprofundavam seus estudos sobre a mente. Como você vê essa convergência histórica influenciando a prática terapêutica atual, especialmente na união entre radiestesia e terapia floral?
É um ponto fundamental. Na mesma época, não podemos nos esquecer, também aconteceram muitas descobertas no campo da física. Os cientistas buscavam compreender melhor a constituição da matéria e descobriram que ela é formada por algo imaterial — é aí que a questão se torna complexa.
Niels Bohr afirmou:
Tudo que chamamos de real é constituído por elementos que não podemos considerar como reais.
Segundo Edgar Cayce:
O corpo humano não é apenas uma estrutura biológica, mas uma combinação complexa de vibrações eletrônicas, energia e matéria, funcionando de forma integrada com a mente e o espírito.
Essa citação é de 1928, justamente quando Edward Bach produziu seus primeiros remédios florais, ainda pelo método homeopático.
Algum tempo depois, no livro Cura-te a Ti Mesmo, Bach afirma que a saúde consiste na harmonia entre a Alma e a Personalidade. Seu grande legado foi utilizar as flores, seres da Natureza, como instrumentos de cura.
A psicologia também avançava a passos largos: Freud e Jung desvendavam o inconsciente. Mais tarde, Rupert Sheldrake, com a teoria dos Campos Morfogenéticos, ampliou ainda mais as possibilidades de compreensão. Julian Barnard, em seu livro Os florais de Bach e os padrões inscritos na água, apresenta o conceito de Campos de Força passivos e ativos, ampliando a compreensão do mecanismo de ação das essências florais.
IV. Integração entre radiestesia e terapia floral
Como se dá, na prática, a integração da radiestesia com a indicação das essências florais?
Uma essência floral é a informação vibracional da flor gravada na água, que permite o equilíbrio de uma disfunção emocional. A terapia floral trata as emoções trazendo consciência. Florais são consciência líquida.
A radiestesia, trabalhando com vibrações sutis, auxilia o terapeuta a perceber onde está o desequilíbrio e, mais do que isso, quais essências devem ser indicadas. Como disse Julian Barnard, no livro Um guia para os remédios florais do Dr. Bach:
Nos casos em que este processo (a radiestesia) é usado com o devido cuidado, essa maneira de indicar é extremamente eficiente. É preciso lembrar, entretanto, que a experiência e o treino do praticante são muito importantes.
É necessário que o terapeuta radiestesista tenha ótimo conhecimento daquilo que está buscando obter resposta, e que conheça bem as essências florais para que o processo de “sintonia” seja eficiente. A propósito, quando escrevia o guia, Julian Barnard foi aconselhado por Nickie Murray, do Bach Centre, a reduzir as referências à radiestesia. Felizmente, o mais importante foi publicado.
Na sua experiência, o que muda na terapia floral quando a radiestesia é usada como suporte? Ela traz mais precisão, profundidade ou clareza ao processo?
Exatamente isso. Tenho percebido na prática que a radiestesia proporciona a sensação de um gasto de energia menor. Mesmo com muitos atendimentos, sinto-me com mais energia do que nos atendimentos tradicionais. Talvez porque, quando estamos conectados conscientemente à pessoa — fazendo a anamnese, ouvindo as queixas e já selecionando mentalmente algumas essências — estamos concentrados, consumindo mais energia.
Quando usamos apenas a radiestesia (e depois avaliamos a assertividade das indicações), é como se houvesse um alívio do processo mental. Ao colocar nossa mente consciente em posição de neutralidade, condição básica para o processo radiestésico, apenas o inconsciente se manifesta e provoca o movimento do pêndulo.
Você poderia compartilhar algum exemplo (sem expor detalhes pessoais) de como essa união ajudou a criar uma fórmula floral mais assertiva?
Vários exemplos: pets, pessoas em coma, pessoas com atividades intelectuais comprometidas, recém-nascidos, pessoas em locais distantes, plantas, imóveis e estabelecimentos comerciais.
V. Benefícios para terapeuta e cliente
Quais são os principais benefícios para o terapeuta ao usar a radiestesia como ferramenta complementar no atendimento?
Considero vários benefícios: a consulta ocorre em menos tempo, e a indicação radiestésica é rápida. Deve haver um momento de preparação, um relaxamento do radiestesista, para que possa se posicionar de maneira neutra e aguardar a indicação.
Durante esse processo, muitas vezes é possível uma espécie de “visão” de toda a questão — é como se a informação chegasse ao nosso inconsciente e fosse conhecida não apenas pela indicação do pêndulo. Outra vantagem é que a radiestesia é muito eficaz nos atendimentos virtuais, muitas vezes apenas por voz, já que algumas pessoas não se sentem à vontade diante das câmeras.
E para o cliente, quais são os ganhos mais perceptíveis dessa abordagem integrada?
Por se tratar de um processo aparentemente mecânico, os pacientes se sentem mais confiantes, pois não precisam entrar em detalhes que consideram desconfortáveis nos primeiros atendimentos. É uma boa maneira de iniciar.
A questão da energia dispendida também é um ganho para o cliente.
VI. Orientação para profissionais iniciantes
Para terapeutas florais que têm curiosidade de aprender radiestesia, por onde você recomenda começar? Há algo importante que essa pessoa deve saber antes de iniciar?
Um conselho que sempre dou para quem deseja ingressar nesse mundo maravilhoso — o de proporcionar bem-estar ao semelhante — é procurar boas fontes de informação. Avaliar com atenção o que está sendo oferecido, não se deixar levar por publicidade agressiva ou por preços atraentes, e obter informações das escolas e professores que se propõem a ensinar radiestesia. Isso vale também para os florais.
Infelizmente, nos dias atuais temos uma oferta exagerada de “mestres” e de “instrumentos mágicos” que prometem verdadeiros milagres. Qualquer intervenção de saúde necessita, principalmente, da vontade do cliente em se recuperar.
Utilizar radiestesia e terapia floral é combinar as duas práticas: a radiestesia como método de análise e a terapia floral como substância material, permitindo que o cliente acesse a informação que o ajudará a tomar consciência de seu propósito.
A Terapia Floral de Bach, como ele mesmo disse no final de sua palestra em Wallingford, no dia de seu 50º aniversário:
Este trabalho de cura foi feito, publicado e oferecido livremente para que pessoas como vocês possam ajudar a si mesmas, tanto na doença quanto para se manterem bem e fortes. Não requer nenhuma ciência; apenas um pouco de conhecimento, empatia e entendimento da natureza humana, que é comum a quase todos nós.
VII. Encerramento e visão de futuro
Para finalizar, como você enxerga o futuro da combinação entre terapia floral e radiestesia? Que potencial você acredita que essa união ainda pode revelar?
O principal é compreender que os males físicos têm causas mentais, e que as essências nos ajudam a trazer luz onde existem sombras, a restaurar a saúde física onde há desequilíbrio causado por questões emocionais.
É uma oportunidade para todos aqueles que se propõem a trabalhar em benefício dos outros. As essências não têm contraindicação, não interagem com medicamentos. Os florais nos permitem tornar-nos pessoas melhores, mais conscientes, respeitando a natureza e reconectando-nos com a Divindade.
Mais uma vez cito a palestra de Bach, de 24/09/1936:
É como se, nesta vasta civilização de grande estresse e pressão, a perturbação tivesse sido tamanha que nos tornamos separados demais da verdadeira Fonte de Cura, Nossa Divindade. No entanto, nosso Criador, sabendo dessas coisas, teve compaixão por nós e, em sua misericórdia, proveu um meio substituto para curar nossas fraquezas até que o tempo ou a circunstância restaure o genuíno e direto. No entanto, esses meios substitutos são maravilhosos em sua ajuda: pois ver a alegria, a felicidade, a ternura que adentram cada vida à medida que as Ervas os curam prova, sem dúvida, que não só o corpo recebeu a bênção.
Além do mais, é certo que é a harmonia intensificada entre o Eu Superior interior e o corpo exterior que influiu na cura.
E mais adiante:
E que grandeza maior há entre todas as Nobres Artes senão a da Cura. E o que é mais beneficente para a Irmandade Humana senão, como algumas das Ordens da Antiguidade, levar conforto àqueles em dor; consolo àqueles em provação ou angústia; conforto e esperança a todos os aflitos.
Referências:
Barnard, J. – Um guia para os Remédios Florais do Dr. Bach – Ed. Pensamento.
]Barnard, J. – Os Florais de Bach e os Padrões inscritos na Água – Ed. Blossom
Bach, E – As palestras de Wallingford – publicadas pelo Bach Centre
Ferreira, A. C. L – Radiestesia e uso do Pêndulo – A arte de captar as vibrações da vida – e-book

Antonio César Lettieri Ferreira é Terapeuta Floral Pleno, filiado à Associação de Terapeutas Florais do Estado de São Paulo (SPFLOR ) e à Associação Portuguesa de Terapeutas Florais (APTF), pós graduado em Terapia Floral especializado nos sistemas Florais de Bach (formação internacional Healing Herbs), Mestre practitioner do sistema Florais de Saint Germain e instrutor autorizado da Butiazal Essências; Radiestesista registrado na Associação Brasileira de Radiestesia (ABRAD). Autor do livro Radiestesia e uso do Pêndulo – A arte de captar as vibrações da vida, César utiliza a Radiestesia na indicação dos florais como prática integrativa e complementar de saúde. Ministra cursos livres sobre Terapia Floral e Radiestesia, com ênfase em Florais de Bach, Saint Germain e Butiazal e oferece atendimentos presenciais e à distância.
Contatos: @aluzdasflores, aluzdasflores.com.br



