A agroecologia em ação no Projeto Beth Bruno

A agroecologia valoriza a diversidade biológica, a participação e o conhecimento das comunidades locais, e a equidade social e econômica. É por isso que ela foi tão bem acolhida pelos participantes do Projeto Beth Bruno.

A agroecologia é uma abordagem para a agricultura que busca integrar princípios ecológicos, sociais e econômicos em sistemas de produção de alimentos sustentáveis. Ela ela reconhece a interdependência entre os seres vivos e o ambiente, e procura aplicar essa compreensão para criar sistemas agrícolas que sejam eficientes, resilientes e regenerativos.

Por isso, ela é vista como uma alternativa viável e desejável para a produção de alimentos em um mundo em que a mudança climática, a degradação ambiental e a desigualdade socioeconômica são desafios cada vez mais urgentes. Essa abordagem, que privilegia o respeito com a vida, chegou ao projeto Beth Bruno em 2017 pelas mãos do homeopata João Carlos da Silva. E desde então, ela só cresceu e ganhou espaço entre os agricultores, sem dúvida, por estar alinhada com maneiras mais saudáveis de lidar com a vida.

Veja nessa entrevista com a coordenadora Marialva Oliveira da Costa, como foi a última rodada de visitas aos grupos.

Como a Agroecologia conversa com os trabalhos de saúde realizados pelo agentes de saúde do Projeto Beth Bruno?

Devido às características dos destinatários do Projeto Beth Bruno, ou seja, dos grupos acompanhados, a agroecologia e a saúde estão intimamente conectadas. Em outras palavras, os agentes de saúde têm uma profunda ligação com a terra. Muitos são agricultores e mesmo aqueles que não o são, têm sua origem cultural e reconhecem a importância da preservação do meio-ambiente. Além disso, eles já fazem grande uso das ervas medicinais em seus tratamentos: nas garrafadas, nos xaropes, como também nos chás e banhos.

Qual o período em que o homeopata João Carlos esteve no Pará?

João esteve aqui conosco no período de 3 a 24 de novembro de 2022.

Qual foi o objetivo dessa visita que ele fez aos grupos? Era uma reciclagem ou a transferência de novos saberes?

A princípio, nosso foco era a reciclagem do conhecimento e transferência de novos saberes.  Foi linda a troca entre ele e os grupos.

Quais comunidades foram visitadas?

Foram feitos trabalhos com 2 grupos de Santarém. No município de Monte Alegre, fizemos uma oficina na área de Santa Clara. Além disso, comunidades nas cidades de Trairão, Placas e Itaituba também receberam a visita do João.

Ao todo, quantos agricultores estiveram presentes durante essa etapa de visitas?

Foram, aproximadamente, 150 agricultores. No grupo de Placas teve uma tarde com a participação de 20 crianças de ensino fundamental da Escola Rural. E em Santarém, fizemos uma manhã com acadêmicos do curso de agronomia da Universidade Federal do Oeste do Pará (UFOPA) . 

Como era a dinâmica dos encontros nas comunidades?

Ela aconteceu por meio da partilha das experiências vivenciadas. Assim, os participantes expunham suas dúvidas e os desafios no desenvolvimento das atividades.

Dessa forma, descobrimos que as maiores dificuldades estão relacionadas ao manejo da propriedade dentro dos princípios da agroecologia, como o controle de insetos nos animais e nas plantações, por exemplo. À medida que surgia o relato das dificuldades, muitas vezes o próprio grupo apontava soluções a partir das experiências.

Quais foram os principais assuntos abordados?

Os principais temas trabalhados foram a homeopatia na agroecologia,  a radiestesia,  o manejo sustentável do solo e a comercialização.

Dentre os grupos que já estão trabalhando com a Agroecologia, quais as principais dificuldades?

Com certeza, o manejo do solo sem uso de inseticida.  Outro tema bastante presente foi o desequilíbrio do meio-ambiente, que provoca mudanças e altera tudo, gerando grandes dificuldades aos agricultores.

Do mesmo modo, eles discutiram sobre a comercialização e incentivos para a agricultura familiar por parte do governo.

O que eles relatam como ganhos, depois de todos esses anos trabalhando com Agroecologia?

Melhor qualidade de vida. Mais saúde, alimentação saudável e diversificada.

Quais os próximos passos em relação à Agroecologia dentro do projeto Beth Bruno? Os agricultores trouxeram novas demandas para os próximos anos?

Aprofundar os conhecimentos da homeopatia, bem como fortalecer a rede agroecológica onde ela já existe e incluir mais agricultores nesse processo. Eles também citaram o acesso a recursos para potencializar a produção.

Quer dividir com a gente momentos que foram emocionantes durante esses dias?

O que mais marcou foi não apenas o reencontro dos agricultores, mas também as partilhas, a abertura e acolhida dos temas desenvolvidos pelo João. Havia muita alegria e esperança.

Veja aqui, fotos dos grupos:

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