Observe, receba e sinta as informações dos florais de Bach

Você pode se perguntar: como as flores nos ajudam a termos as emoções mais equilibradas? Neste artigo, Julian Barnard elabora uma hipótese para explicar como esse processo sutil acontece.

Tudo se resume a informação e nós interagimos com ela o tempo inteiro. Seja interpretando os conteúdos externos através dos nossos cinco sentidos, seja pelo sexto sentido, que talvez usemos para reunir informações sobre outro tipo de realidade.

Além dessas fontes de informação externas, temos as internas, situadas em nosso corpo e em nossa mente, como a imaginação e os órgãos vitais: cérebro, coração, fígado, rins e pulmões. A pele é considerada o sexto órgão vital e atua como um sexto sentido, responsável pela mediação entre o mundo interno e o externo.

Quando um gato fica assustado, seus pelos arrepiam por causa das informações que ativam uma reação bioquímica na pele do animal. Às vezes, conseguimos saber o que o assustou e às vezes, não. Nós também podemos reagir de modo semelhante quando o sistema nervoso somático (responsável pela relação entre o corpo e o meio ambiente) entra em ação. Ou seja, reagimos de diversas maneiras às informações.

Pense agora nos florais de Bach e nas informações que eles podem conter. Quando nós preparamos uma essência-mãe pelo método solar (a infusão de flores a partir da qual serão produzidos os frascos de estoque que são comercializados), pegamos água fresca de uma nascente e deixamos as vasilhas com as flores sob a luz ininterrupta do Sol durante três horas. O que acontece durante esse tempo? Quando a água sai do solo, a temperatura dela é de aproximadamente 10 graus Celsius, e ela fica fresca em um dia ensolarado e quente. No lado externo da vasilha, no início, geralmente ocorre a condensação (quando a água se modifica do estado
gasoso para o líquido), mas, gradualmente, sob a luz do Sol a temperatura sobe e pode alcançar 28 ou 30 graus, o que faz aparecerem pequenas bolhas na vasilha. Além das bolhas, a água na vasilha começa a brilhar, e um efeito prismático acontece conforme a luz é refletida na água – em tons de amarelo, vermelho, roxo e azul.

Voltando um pouco, considere o que isso pode significar para a água que saiu de dentro da terra. Sempre me pareceu que essa água é recém-nascida; e, como qualquer recém-nascido, é uma tela em branco, sem informações ou padrões do passado. O que de fato acontece com um bebê é um processo de “imprinting”, um termo conhecido na psicologia que se refere ao rápido processo de aprendizado que ocorre, por exemplo, quando um animal jovem adquire características comportamentais de seus pais ou com quem ele tenha o primeiro contato.

Há muitos anos, eu tive uma experiência ao andar pelas montanhas da ilha de Skye, no noroeste da Escócia. Encontrei um cordeiro recém-nascido sem a mãe. Eu não podia deixá-lo, pois ele certamente morreria à beira-mar. Então, o peguei e o enrolei em minha jaqueta azul e subi a montanha onde havia um campo cheio de ovelhas. Eu o soltei e disse: “Vá e encontre a sua
mãe”. Mas ele me seguiu pelo campo. Isso é imprinting, um processo para guardar informações nos primeiros estágios de vida. Embora a história do cordeiro seja uma analogia, podemos dizer que o contato com a minha jaqueta foi um registro permanente de sua primeira experiência. Informações estavam sendo registradas. Informações são registradas.

E quais são registradas em um floral de Bach? As flores. Se a flor for Impatiens, podemos pensar que a gentileza e o equilíbrio da flor estavam lá. Mas, na verdade, o processo inclui a imagem inteira da forma e da função daquela espécie, assim como a história de sua vida e de seu padrão vital.

É incrível observar a forma e a função da planta para ver como os gestos descrevem o que ela é. Vale a pena considerar por um momento o papel que a linguagem desempenha nesse processo. Eu falo inglês, você fala português, mas qual é a língua das plantas? E como podemos aprendê-la? A língua que elas usam é o modo como elas crescem – sua forma e estrutura. Elas falam a língua daquilo que elas são. E nós precisamos usar todos os nossos sentidos para entender isso.

Agora, como a informação daquela língua é registrada na vasilha de água fresca? É aí que entra a controvérsia e onde podemos ser facilmente rejeitados pela ciência tradicional. E eu não posso alegar especialidade nesse assunto além da minha experiência prática preparando essências durante as últimas três décadas. Sabemos por fato que quando a temperatura aumenta a água expande. E com o aumento da temperatura há um aumento de agitação das moléculas de água. Finalmente, se a água atinge o ponto de fervura, ela muda de fase e o líquido evapora. A energia é um fator essencial para que isso ocorra.

Acredito que, como parte do processo de aquecimento e do aumento da agitação, os espaços dentro das moléculas de H2O absorvem informações. Isso pode estar ligado à estrutura da molécula de H2O, que se assemelha a um coelho orelhudo, que, por sua vez, pode estar ligada à formação e quebra constantes das ligações entre o hidrogênio e o oxigênio, o que ocorre sem parar a uma taxa de um décimo de trilhão de segundo. A partir disso, podemos concluir que a água é tudo, menos estável. De fato, parece provável que esse movimento ocorra mesmo sem calor por causa da ação da luz sobre a água. Deixe-me adiantar que eu não tenho uma explicação razoável para dizer como a água absorve as informações presentes no momento da preparação da essência. Mas eu também não tenho uma explicação razoável para dizer por que o carneiro se afeiçoou a mim e à minha jaqueta azul. Mas o processo de imprinting certamente aconteceu.

Vamos supor então que a essência-mãe contenha algumas informações em particular carregadas pelas moléculas da água. De algum modo, elas se dispersam através de outro líquido quando são adicionadas uma ou duas gotas da essência. E devo admitir que isso parece estranho. Mas se acrescentarmos uma gota de corante a um copo de água tudo ficará colorido. É impossível então tomar aquela água sem ingerir o corante. Então as informações são transmitidas a partir do evento de preparação da essência-mãe para o momento em que eu abro o frasco e trago algumas daquelas informações para dentro de mim. Esse fato gera uma outra questão: como eu leio as informações quando eu tomo algumas gotas dessa essência?

Eu acredito que nós lemos essas informações do mesmo modo que lemos ou recebemos informações sensoriais. Existe, vamos dizer, uma mensagem na água. A mensagem é escrita na linguagem da planta e transmitida pelo mensageiro: a essência. Tentando explicar como isso pode funcionar, precisamos tentar analisar melhor uma nova ideia: o campo de força passiva. Um campo de força ativa é ativado por energia – uma energia que
pode ser prejudicial se você encontrá-la. A eletricidade gera um campo de força e se eu for descuidado posso acabar experimentando a sua força. Assim, cada ser vivo gera um campo de força e isso é algo que podemos medir pela ciência.

Mas um campo de força passiva não pode ser mensurado. Ele pode, sim, ser sentido, lido, entendido. Talvez seja útil pensar em alguns exemplos de campo de força passiva. A arquitetura é um campo de força passiva – se você entrar em uma catedral, a estrutura foi projetada para influenciar o seu estado mental, mas isso é feito de maneira passiva. Símbolos são um campo de força passiva, já que eles transmitem associações e ideias as quais interpretamos a partir da percepção visual. Do mesmo modo, obras de arte podem nos influenciar, mas de forma passiva. A pintura não faz uma intervenção ativa, mas pode transmitir uma mensagem poderosa. O mesmo é válido para todos os tipos de imagens, de escrita, até mesmo livros, tudo o que pode transmitir uma ideia.

No processo de preparação de um floral de Bach, temos então um meio receptivo (a água) e uma força ativadora (o Sol), que transfere informações do campo de força viva da flor. Essas informações são escritas na água e retidas ali como um campo de força passiva. É esse campo de força passiva que está no frasco. E recebemos as informações quando tomamos algumas gotas do floral.

Ilustrações: Sandra Javera

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Assista no vídeo abaixo um trecho de uma palestra dada pelo Julian onde ele fala sobre esse assunto.

Se quiser se aprofundar nesse tema, no livro Os florais de Bach e os Padrões Inscritos na Água, Julian Barnard aborda com mais detalhes esse assunto.




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