O que é a terapia floral?

O que é a terapia floral, prática terapêutica desenvolvida a partir das descobertas do Dr. Edward Bach?

O Dr. Edward Bach, médico inglês que viveu no início do século XX, observou em sua prática clínica que os estados mental e emocional de seus pacientes representavam aspectos importantes na prevenção às doenças e no reestabelecimento da saúde. Esse foi o começo da história da terapia floral.

Desde então, esta terapêutica vem ganhando espaço, por estar alinhada com as novas condutas na área da saúde, que contemplam a transdisciplinaridade, abordagens integrativas e complementares e a atenção humanizada e centrada na integralidade do indivíduo, que deve ser analisado nas suas dimensões físico, emocional e mental.

Em 1983, a Organização Mundial da Saúde (OMS), por meio de seu consultor Dr. H. A. W. Forbes, deu um parecer positivo sobre as essências florais em seu livro Traditional Medicine and Health Care Coverage.

Segundo o Dr. H. A. W. Forbes, Consultor da OMS para assuntos relacionados à medicina tradicional:

“Os remédios florais parecem trabalhar segundo o mesmo princípio da homeopatia – eles transmitem um padrão de energia. Eu próprio, em minha prática médica tenho usado as essências florais de maneira crescente durante os últimos 17 anos…”

e complementa:

“Cada remédio floral trata uma determinada pessoa e uma condição particular. O uso de todos estes remédios (essências florais) está amplamente distribuído pelo mundo em uma pequena escala. Eles são excelentes para o autocuidado, sendo totalmente sem efeitos colaterais e não oferecem perigo caso um remédio errado seja indicado.”

Hoje, os florais de Bach estão presentes em mais de 80 países, são reconhecidos como um instrumento que promove a melhora na qualidade de vida e estão inseridas tanto no cotidiano de pessoas que buscam uma maneira natural de equilibrar suas emoções, quanto na prática clínica de profissionais da saúde que reconhecem a importância de se tratar o indivíduo de maneira integral.

A terapia floral no Brasil

No Brasil, os florais chegaram no final da década de 1980 e rapidamente se popularizaram, por se tratar de um instrumento de cuidado e autocuidado simples, eficaz, de baixo custo e sem efeitos colaterais. A terapia floral nasce a partir desse movimento.

Hoje, ela está inserida oficialmente como uma prática integrativa e complementar em profissões da área da saúde, é utilizada em inúmeros trabalhos sociais, a exemplo da Pastoral da Saúde, possui cursos de especialização em universidades e foi inserida na grade curricular de algumas profissões.

Em 2018, por meio da PORTARIA N° 702, DE 21 DE MARÇO DE 2018, o Ministério da Saúde alterou a Portaria de Consolidação nº 2/GM/MS, de 28 de setembro de 2017, para incluir novas práticas na Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares – PNPIC. A terapia floral foi incluída nesse documento, o que significa que ela pode ser ofertada no sistema de saúde pública, ainda que esse processo demande uma caminhada para a estruturação e qualificação dessa prática nos diversos pontos da Rede de Atenção à Saúde (RAS).

A teoria

A terapia floral é fundamentada no trabalho de Dr. Edward Bach, médico inglês, que na década de 1930 percebeu que o que determina muitas doenças são estados mentais e emocionais em desequilíbrio.

Uma das premissas desta terapêutica é a participação ativa do indivíduo em seu processo de promoção e recuperação da saúde, por meio de uma abordagem onde ele é convidado a buscar em si mesmo aqueles sentimentos que podem estar causando o desequilíbrio e, consequentemente, as doenças. Desse modo, a terapia floral promove no indivíduo a responsabilidade pela sua saúde, por meio do autoconhecimento e do autodesenvolvimento.

Outro pilar que sustenta essa terapêutica é a sua característica de tratar a pessoa e não a doença, a causa e não o efeito, o todo e não as partes, num processo que prioriza a promoção e a recuperação da saúde e que contempla o ser humano em todos os seus aspectos (físico, emocional e mental).

No capítulo 8 do seu livro Cura-te a Ti Mesmo, o Dr. Bach reforça a importância de se buscar remédios que possam curar as enfermidades no corpo físico, sem negligenciar o estado mental:

“O dever da arte de curar será o de nos ajudar a adquirir o conhecimento necessário e os meios através dos quais poderemos eliminar nossas enfermidades e, além disso, administrar remédios que fortalecerão nosso corpo físico e o mental, dando-nos maiores oportunidades de vitória.”

Portanto, os pilares que sustentam a terapia floral tratam do protagonismo do doente em seu processo de cura e de uma abordagem integral do ser, que não descarta os desequilíbrios emocionais no cuidado dos indivíduos.

O histórico

O Dr. Edward Bach foi médico bacteriologista e patologista, que dedicou grande parte de sua carreira profissional à pesquisa. Logo no início de sua carreira, trabalhou no University College Hospital de 1915 a 1919.

No período de 1919 a 1922, trabalhou como bacteriologista do London Homeopathic Hospital. Neste período, conheceu a doutrina e os princípios de Hahnemann, o pai da Homeopatia, através do seu livro Organon da Arte de Curar, e, em 1926, publicou com C.E. Wheeler o Cronic Disease. A Working Hypothesis.

Foi nesta época que ele desenvolveu os sete nosódios intestinais, que ainda hoje são utilizados e reconhecidos como nosódios de Bach. Também nesta época, começou a separar os indivíduos por grupos de semelhança de comportamento como se sofressem do mesmo problema, independente da doença física que apresentavam.

Em sua busca para substituir os nosódios (medicamentos produzidos a partir do material da própria doença) por essências preparadas a partir de plantas, encontrou um novo método de preparo. Tendo obtido excelentes resultados com estas essências, em 1930 ele abandonou sua bem sucedida carreira de médico para buscar na natureza uma nova abordagem para a prevenção de doenças e restauração da saúde.

Segundo o Dr. Bach, ao equilibrar e a harmonizar os corpos emotivo e mental, o indivíduo se torna menos vulnerável às doenças físicas.

Em seu livro Cura-te a Ti Mesmo, que reúne a base teórica de seu trabalho, ele diz:

“Aquilo que conhecemos como doença é o resultado final produzido no corpo, o produto final de forças profundas e de longa duração.”

As bases teóricas que sustentam essa prática terapêutica*

A terapia floral é considerada uma terapia integrativa e complementar da saúde que utiliza as essências florais, visando a promoção e recuperação da saúde. Ela tem uma abordagem salutogênica, ou seja, ela busca as razões que levam alguém a estar saudável e não uma explicação para o motivo da enfermidade. Por isso, ela propõe formas de estimular e preservar a saúde, sendo capaz de proporcionar um estado de harmonia e bem-estar com o meio social, familiar e consigo mesmo.

Os florais utilizados nesta terapêutica são preparados naturais que trazem registrados em seu conteúdo uma ou mais informações das plantas utilizadas. Ao entrar em contato com o indivíduo, essas essências atuam agindo como catalisadores de processos de transformação.

Diferente de medicamentos alopáticos, os florais são preparados por métodos que não carregam quimicamente a água. Por isto, seu uso é seguro.

A profissão de terapeuta floral

A profissão de terapeuta floral é reconhecida como prática integrativa e complementar em saúde humana, recebendo o Código CNAE 8690-9/01 da CONCLA – Comissão Nacional de Classificação.

Por ter um caráter multiprofissional, ela também pode ser exercida por profissionais da saúde que possuem formação específica em terapia floral.

Alguns conselhos profissionais já incluíram a terapia floral como uma prática integrativa e complementar à saúde:
• Conselho Federal de Enfermagem: desde 1997;
• Conselho Federal de Odontologia: desde 2008;
• Conselho Federal de Fisioterapia e Terapia Ocupacional: desde 2010;
• Conselho Federal de Farmácia: desde 2015.

Diagnóstico, tratamento e indicações

A terapia floral acontece a partir da escuta e da observação que o profissional faz durante o processo terapêutico.

A partir do que foi relatado, o terapeuta prepara uma indicação com as essências necessárias.

Os florais serão sempre direcionados aos problemas emocionais do paciente, nunca aos problemas físicos.

Por ser uma prática integrativa e complementar, a terapia floral colabora com o tratamento convencional, à medida que equilibra emocionalmente o indivíduo.

Assim, sentimentos como ansiedade, medo, tristeza, angústia, apatia, raiva, mágoa, insegurança, baixa autoestima, entre outros, serão tratados com essências florais específicas que despertarão as virtudes necessárias ao restabelecimento da saúde integral.

Os florais podem ser administrados oralmente, em cremes e loções, na água do banho ou ainda borrifados no ambiente. Independente do meio utilizado, os florais podem ser diluídos a partir do frasco de estoque, sendo que apenas duas gotas de cada essência indicada serão necessárias na preparação dos frascos de tratamento.

Há pesquisas na área?

Sim, há pesquisas com os florais e elas vêm crescendo nos últimos anos e mostrando resultados positivos no seu uso.

Abaixo, alguns estudos realizados com as essências florais, que comprovam sua eficácia:

Este estudo, publicado em janeiro de 2020, descreve a vivência de mulheres submetidas ao uso de essências florais como terapia não farmacológica para o alívio da dor e ansiedade durante o trabalho de parto.

Ele foi realizado com 30 parturientes, em um centro de parto normal público, intra-hospitalar da cidade de São Paulo e mostrou os efeitos positivos da terapia floral na redução dos sintomas de estresse-medo-tensão, além do aumento do bem-estar emocional proporcionando às parturientes a oportunidade de protagonizar o seu próprio trabalho de parto.

Essa pesquisa, realizada em 2016 para avaliar o efeito das essências florais nos traumas e medos em crianças que vivem em situação de pobreza, mostrou que houve indícios de melhor elaboração dos medos e traumas vivenciados em comparação ao grupo placebo, sugerindo que o uso desta terapia pode ajudar a reduzir as sequelas que estas emoções produzem no comportamento humano.

Esta pesquisa, realizada a partir de março de 2013, contou com a participação de docentes e discentes da Escola de Enfermagem Anna Nery da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Entre os objetivos do estudo, estavam:

  1. A implementação da consulta em terapia floral e reiki num ambulatório dedicado às pessoas vivendo com HIV/Aids (PVHA);
  2. Contribuir para a melhoria da adesão de PVHA ao plano terapêutico e
  3. Criar e organizar banco de dados sobre terapias florais, Reiki e pessoas vivendo com HIV/Aids atendidas.

O estudo mostrou a expressiva melhora na qualidade de vida das PVHA após o início das terapias propostas. Antes de iniciar as terapias, os pacientes apresentavam piores resultados em relação às questões físicas e emocionais. Em todos os questionários analisados, observou-se expressiva melhora em relação à percepção de si mesmo, inclusão no processo de cuidar, participação no tratamento, sentimento de aceitação, vontade de viver e de aperfeiçoar suas condições de vida.

Essa pesquisa, realizada em 2012, teve como objetivo investigar os efeitos dos florais Impatiens , Cherry Plum, White Chestnut e Beech em pessoas ansiosas. Observou-se que o grupo que fez uso das essências florais teve uma diminuição maior e estatisticamente significativa no nível de ansiedade em comparação ao grupo placebo e concluiu que as essências florais tiveram efeito positivo na diminuição da ansiedade;

Concluindo…

A terapia floral, presente em nosso país há mais de 30 anos, vem conquistando reconhecimento por estar alinhada a uma nova abordagem de cuidados, que contempla o ser humano de maneira integral, ao considerar seus aspectos físico, mental e emocional.

As essências florais utilizadas na terapia floral não substituem o tratamento médico. Elas o complementam e apresentam segurança em seu uso, pois não são invasivas, não oferecem riscos à saúde, não provocam efeitos colaterais e podem ser administradas concomitantemente com outros medicamentos.

Ao lançar um olhar profundo para as questões emocionais, a terapia floral representa um poderoso aliado nas intervenções que visam a promoção e recuperação da saúde, além de contribuir na garantia da integralidade na atenção em saúde.

*Material retirado do curso Terapia Floral – Master

Para o topo